Os seis primeiros capítulos olharam para a notação como ela é: quem inventou cada sinal, o que ele significa, o que ele permite fazer. Este capítulo olha para quem aprende a notação. Nenhum sinal é transparente. Ler $\frac{dy}{dx}$, ou mesmo $304$, exige saber o que cada parte faz e em que ordem as partes se combinam, e esse saber se adquire, devagar, ao longo de anos.
A matemática escrita é uma segunda língua com gramática própria, e quase sempre é aprendida misturada com a primeira. Uma criança ouve “trezentos e quatro” e precisa escrever três algarismos, não cinco. Um estudante lê “três vezes mais” e precisa decidir se é o triplo ou o quádruplo. Um adulto vê $6 \div 2(1+2)$ numa rede social e descobre que duas pessoas sensatas podem ler a mesma linha de dois jeitos. Os erros que aparecem nesse caminho raramente são preguiça: quase sempre seguem uma regra, só que a regra errada. Por isso valem como janela para o que o leitor entendeu.
O capítulo também olha para o outro lado: escrever. Gauss e Ramanujan encheram cadernos com uma escrita tão comprimida que outros matemáticos levaram décadas para decifrá-la. E Abraham Nemeth, cego, mostrou que a escrita matemática pode ser lida com os dedos e com os ouvidos, desde que se diga em voz alta o que o papel mostra só com a posição.
Textos do capítulo
- Contar, falar e escrever números
- Ler antes de calcular: o quadro de Bogdanov-Belsky
- Duas línguas na mesma frase: o registro matemático
- A idade do capitão: do enunciado à equação
- As convenções que ninguém escreve
- Erros que fazem sentido: as regras falsas
- Escrever para pensar: os cadernos de Gauss e de Ramanujan
- Ler com as mãos e com os ouvidos: Braille e o código Nemeth
- Como aprender a ler e escrever matemática: roteiro e glossário
- Referências e créditos