A vida de Isaac Newton
Linha do tempo
- 1643Nasce em 4 de janeiro, em Woolsthorpe, Inglaterra. Nos registros ingleses da época, a data é 25 de dezembro de 1642.
- 1661Entra no Trinity College, em Cambridge, como estudante pobre.
- 1665–1667Com a universidade fechada pela peste, volta para casa. Desenvolve séries, fluxões, a teoria das cores e as primeiras ideias sobre a gravidade.
- 1669Aos 26 anos, assume a cátedra lucasiana de matemática, no lugar de Isaac Barrow.
- 1672Apresenta seu telescópio refletor e publica a teoria da luz e das cores.
- 1687Publica os Principia, pagos do bolso de Edmond Halley.
- 1696Vai para a Casa da Moeda de Londres, primeiro como Warden e, em 1699, como Master.
- 1703Torna-se presidente da Royal Society.
- 1704Publica a Opticks.
- 1727Morre em 31 de março, em Londres. É sepultado na Abadia de Westminster.
- Nasce numa fazenda, filho póstumo de um agricultor. Estuda na escola de Grantham, ali perto.
- Entra no Trinity College como estudante pobre, que paga os estudos servindo os colegas.
- Com a universidade fechada pela peste, volta para casa. Desenvolve séries, fluxões, a teoria das cores e as primeiras ideias sobre a gravidade.
- Ocupa a cátedra lucasiana, constrói o telescópio refletor e escreve os Principia (1687).
- Dirige a Casa da Moeda, na Torre de Londres, e preside a Royal Society. Morre em 1727 e é sepultado na Abadia de Westminster.
- 1643–1661 · Woolsthorpe
- 1661–1665 · Cambridge
- 1665–1667 · Woolsthorpe
- 1667–1696 · Cambridge
- 1696–1727 · Londres
A vida de Newton
Uma infância sem os pais
Newton nasceu numa pequena propriedade rural em Woolsthorpe, no condado de Lincolnshire. O pai, também chamado Isaac, era fazendeiro e não sabia assinar o nome. Morreu três meses antes de o filho nascer. O bebê veio prematuro e tão pequeno que, segundo a mãe contaria mais tarde, caberia numa caneca.
Quando Isaac tinha três anos, a mãe, Hannah, casou-se de novo com um pastor rico de uma aldeia vizinha e foi morar com ele. O menino ficou com a avó. A separação deixou marcas: aos 19 anos, numa lista de “pecados” que anotou num caderno, Newton confessou ter ameaçado “meu pai e minha mãe Smith de queimá-los junto com a casa”.
Na escola de Grantham, morou na casa de um boticário e se encantou com os frascos, as ervas e as receitas. Gostava de construir coisas: relógios de sol, moinhos em miniatura e uma pipa com uma lanterna presa à cauda, que assustou os vizinhos à noite.
Quando o padrasto morreu, a mãe voltou para Woolsthorpe e tirou o filho da escola para cuidar da fazenda. Foi um desastre. Newton lia enquanto as ovelhas fugiam e os porcos invadiam a plantação do vizinho. O diretor da escola e um tio convenceram a mãe de que aquele rapaz tinha de ir para a universidade.
Cambridge e os anos da peste
Em 1661, Newton entrou no Trinity College, em Cambridge, como subsizar: um estudante que pagava parte dos estudos fazendo serviços para os colegas mais ricos. O currículo oficial ainda era Aristóteles, mas por conta própria ele leu Descartes, Galileu, Kepler e a Aritmética dos infinitos de John Wallis. Num caderno, escreveu em latim: “Platão é meu amigo, Aristóteles é meu amigo, mas minha maior amiga é a verdade.”
Em 1665, a peste bubônica chegou a Londres e a universidade fechou. Newton voltou a Woolsthorpe e passou quase dois anos ali, praticamente sozinho. Nesse período, que mais tarde seria chamado de seu annus mirabilis, ou ano maravilhoso, ele:
- generalizou o binômio para expoentes fracionários e negativos;
- criou o método das fluxões, que hoje chamamos de cálculo diferencial e integral;
- mostrou com prismas que a luz branca é uma mistura de cores;
- começou a se perguntar se a força que derruba uma maçã é a mesma que segura a Lua.
O próprio Newton, já velho, resumiu: “Naqueles dias eu estava no auge da minha idade para a invenção.” Mas quase nada disso foi publicado na época. A teoria da gravitação, em especial, levaria mais vinte anos para ficar pronta.
Professor aos 26 anos
De volta a Cambridge, Newton mostrou alguns resultados a Isaac Barrow, o professor de matemática. Barrow ficou tão impressionado que, em 1669, deixou o cargo e indicou Newton para a cátedra lucasiana. Ele tinha 26 anos.
As aulas eram tão pouco frequentadas que, segundo um assistente, muitas vezes ele falava para as paredes. Mas Newton não precisava de plateia. Em 1668 construiu com as próprias mãos um telescópio de espelho, com cerca de 15 centímetros de comprimento, que aumentava tanto quanto um telescópio de lentes dez vezes maior. A Royal Society ficou encantada e o elegeu membro em 1672.
Brigas
Logo em seguida, Newton enviou à Royal Society sua teoria das cores. Robert Hooke, o curador de experimentos da sociedade, criticou o trabalho com arrogância. Newton respondeu com fúria e passou anos sem querer publicar nada. Escreveu a um amigo que a filosofia natural era “uma senhora tão impertinente e litigiosa” que valia mais a pena ficar longe dela.
A relação com Hooke nunca melhorou. Numa carta de 1676 aparece a frase mais famosa de Newton: “Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes.” A frase era antiga, e há quem leia nela uma alfinetada em Hooke, que era baixo e encurvado.
Bem pior foi a briga com Leibniz pela invenção do cálculo, que contamos no legado.
Os Principia
Em agosto de 1684, o astrônomo Edmond Halley foi a Cambridge com uma pergunta que ninguém em Londres sabia responder: se o Sol atrai os planetas com uma força que diminui com o quadrado da distância, que forma terão as órbitas? Newton respondeu na hora: uma elipse. Halley perguntou como ele sabia. “Ora, eu calculei.” Newton procurou o papel e não encontrou. Prometeu refazer a conta.
Três meses depois, mandou a Halley um texto de nove páginas. Nos dois anos seguintes, aquilo cresceu até virar os Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica (“Princípios matemáticos da filosofia natural”), publicados em 1687. A Royal Society não tinha dinheiro para imprimir: tinha gastado tudo num livro sobre a história dos peixes. Halley pagou a edição do próprio bolso.
Halley ainda escreveu uma ode em latim para abrir o livro. O último verso diz:
A nenhum mortal é permitido chegar mais perto dos deuses.
— Edmond Halley, ode a Newton nos Principia (1687)
Nos Principia, as mesmas leis explicavam a queda de uma pedra, as marés, a órbita da Lua e o caminho dos cometas. Pela primeira vez, o céu e a Terra obedeciam às mesmas regras.
Londres: a Casa da Moeda
Em 1693, Newton teve uma crise nervosa. Passou meses sem dormir direito e escreveu cartas desconexas a amigos, acusando-os de conspirar contra ele. Recuperou-se, mas sua grande fase criativa tinha passado.
Em 1696 trocou Cambridge por Londres e foi trabalhar na Casa da Moeda, encarregada de cunhar as moedas do reino. Ninguém esperava que levasse o cargo a sério, mas Newton reorganizou a recunhagem de todas as moedas de prata da Inglaterra e perseguiu falsificadores pessoalmente, disfarçando-se para frequentar tavernas e interrogando suspeitos. O falsificador mais famoso, William Chaloner, foi enforcado em 1699.
Em 1703 tornou-se presidente da Royal Society e governou a sociedade com mão de ferro até morrer. Em 1705 foi nomeado cavaleiro pela rainha Ana: virou Sir Isaac Newton.
Os últimos anos
Newton nunca se casou. Além de matemática e física, escreveu mais de um milhão de palavras sobre alquimia e outro tanto sobre teologia e profecias bíblicas. Num desses cálculos, concluiu que o mundo não acabaria antes de 2060. O economista John Maynard Keynes, que comprou parte desses manuscritos em 1936, escreveu que Newton “não foi o primeiro da idade da razão; foi o último dos magos”.
Morreu em 31 de março de 1727, aos 84 anos, e teve funeral de Estado na Abadia de Westminster. O filósofo Voltaire, que estava em Londres, ficou impressionado: a Inglaterra enterrava um matemático como se fosse um rei.
Pouco antes de morrer, Newton teria dito:
Não sei o que pareço ao mundo. Para mim mesmo, pareço ter sido apenas um menino brincando na praia, que se divertia achando de vez em quando uma pedrinha mais lisa ou uma concha mais bonita que as outras, enquanto o grande oceano da verdade permanecia inteiro por descobrir diante de mim.
— Isaac Newton, segundo Joseph Spence
Fontes: cronologia do Newton Project · biografia no MacTutor.
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