O problema de Basileia
Em 1650, Pietro Mengoli perguntou quanto vale a soma dos inversos dos quadrados:
Os Bernoulli tentaram e não conseguiram. A soma cresce devagar: com 10 termos dá $1{,}5498$, com 100 termos dá $1{,}6350$, com 1000 termos dá $1{,}6439$. Ninguém reconhecia o número para onde ela caminhava. Veja na figura: cada barra é a soma até $N$ termos.
Em 1735, Euler usou uma ideia ousada. Um polinômio pode ser escrito a partir das suas raízes. Ele supôs que o mesmo valia para a função $\dfrac{\sin x}{x}$, que vale $1$ em $x = 0$ e se anula em $x = \pm\pi, \pm 2\pi, \pm 3\pi, \dots$:
A figura mostra a ideia funcionando. A curva azul é $\dfrac{\sin x}{x}$, com as raízes marcadas em vermelho. A curva dourada é o produto com só alguns parênteses: aumente o número de fatores e veja o produto colar na curva.
Se você multiplicar todos esses parênteses, o termo em $x^2$ será
Por outro lado, a série de Taylor do seno dá
As duas expressões representam a mesma função, então os coeficientes de $x^2$ têm de ser iguais:
Ninguém esperava ver $\pi$, um número da geometria do círculo, numa soma de frações. O argumento de Euler não era rigoroso pelos padrões de hoje: escrever $\frac{\sin x}{x}$ como produto infinito só foi justificado um século depois, por Weierstrass. Mas o resultado estava certo, e Euler conferiu numericamente várias casas decimais. Com o mesmo método ele mostrou que $\sum \frac{1}{n^4} = \frac{\pi^4}{90}$.
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