A vida de Gottfried Wilhelm Leibniz
Linha do tempo
- 1646Nasce em 1º de julho, em Leipzig, no Sacro Império Romano-Germânico.
- 1661Entra na Universidade de Leipzig, aos 14 anos.
- 1666Publica De arte combinatoria. Leipzig recusa seu doutorado em direito; Altdorf o aprova no ano seguinte.
- 1672Vai a Paris em missão diplomática. Começa a estudar matemática a sério com Christiaan Huygens.
- 1673Apresenta sua máquina de calcular em Londres e é eleito para a Royal Society.
- 1675Em manuscritos de outubro e novembro, cria os símbolos $\int$ e $d$.
- 1676Muda-se para Hannover, onde trabalhará como bibliotecário e conselheiro por 40 anos.
- 1684Publica o primeiro artigo sobre cálculo diferencial na revista Acta Eruditorum.
- 1700Funda a Academia de Ciências de Berlim e é seu primeiro presidente.
- 1703Publica a explicação da aritmética binária.
- 1716Morre em 14 de novembro, em Hannover.
- Nasce e estuda em Leipzig. A universidade recusa o seu doutorado em direito, alegando que ele é jovem demais.
- Obtém o doutorado em poucos meses, perto de Nuremberg, e recusa o cargo de professor que lhe oferecem.
- Entra para o serviço do príncipe-arcebispo de Mainz, como jurista e conselheiro.
- Chega em missão diplomática e aprende matemática com Christiaan Huygens. Em 1675 cria os símbolos $\int$ e $d$.
- Mostra a sua máquina de calcular na Royal Society e é eleito membro.
- A caminho de Hannover, visita o filósofo Baruch Spinoza.
- Bibliotecário e conselheiro dos duques por quarenta anos. Publica o cálculo (1684) e a aritmética binária (1703). Morre em 1716.
- Viaja três anos por arquivos da Alemanha, da Áustria e da Itália para escrever a história da família ducal.
- Funda a Academia de Ciências de Berlim e torna-se o seu primeiro presidente.
- 1646–1666 · Leipzig
- 1666–1667 · Altdorf
- 1668–1672 · Mainz
- 1672–1676 · Paris
- 1673 · Londres
- 1676 · Haia
- 1676–1716 · Hannover
- 1687–1690 · Roma
- 1700 · Berlim
A vida de Leibniz
O menino da biblioteca
Leibniz nasceu em Leipzig, dois anos antes do fim da Guerra dos Trinta Anos, que devastou os territórios alemães. O pai, Friedrich, era professor de filosofia moral na universidade e morreu quando o filho tinha seis anos. Deixou uma grande biblioteca.
Aos oito anos, o menino ganhou permissão para entrar nela. Os livros estavam em latim, que ele ainda não sabia ler. Com uma edição ilustrada do historiador romano Tito Lívio, foi adivinhando palavras pelas figuras e pelo contexto até aprender a língua sozinho. Aos doze lia latim com facilidade e começava a estudar grego.
Jovem demais para ser doutor
Entrou na Universidade de Leipzig aos 14 anos e estudou filosofia e direito. Aos 20 publicou De arte combinatoria, um livro sobre como combinar ideias simples para formar ideias complexas. Ali já aparecia o sonho que o acompanharia a vida toda: um alfabeto do pensamento, que você conhecerá no post sobre lógica.
No mesmo ano pediu o doutorado em direito. A Universidade de Leipzig recusou, oficialmente porque ele era jovem demais. Leibniz foi para a Universidade de Altdorf, perto de Nuremberg, e obteve o título em poucos meses. Ofereceram-lhe na hora um cargo de professor. Ele recusou: queria uma vida mais ativa que a acadêmica.
Paris: um diplomata aprende matemática
Leibniz entrou para o serviço do príncipe-arcebispo de Mainz. Em 1672 foi mandado a Paris com uma missão ousada: convencer o rei Luís XIV a invadir o Egito, em vez de atacar a Holanda e os territórios alemães. O rei nunca o recebeu. Mais de um século depois, em 1798, Napoleão invadiu o Egito, e alguns historiadores notaram a semelhança com o plano de Leibniz.
A missão fracassou, mas Paris mudou a vida de Leibniz. Ele conheceu Christiaan Huygens, o maior cientista do continente, e confessou que sabia pouca matemática. Huygens lhe passou um problema para testá-lo: quanto vale a soma dos inversos dos números triangulares?
$$1+\frac13+\frac16+\frac1{10}+\frac1{15}+\cdots$$Leibniz percebeu que cada termo é uma diferença:
$$\frac{2}{n(n+1)}=2\left(\frac1n-\frac1{n+1}\right).$$Somando, quase tudo se cancela, como num telescópio que se fecha:
$$2\left(1-\frac12+\frac12-\frac13+\frac13-\cdots\right)=2.$$A ideia de que somas desfazem diferenças é o coração do cálculo. Leibniz estava a três anos de inventá-lo.
Em outubro e novembro de 1675, nos seus cadernos, Leibniz escreveu pela primeira vez os símbolos $\int$ e $d$. O cálculo tinha nascido, pela segunda vez: Newton chegara às mesmas ideias dez anos antes, mas quase ninguém sabia.
Hannover: quarenta anos de serviço
Em 1676, Leibniz aceitou o cargo de bibliotecário e conselheiro dos duques de Brunswick-Lüneburg, em Hannover. No caminho, visitou em Haia o filósofo Baruch Spinoza. Ficaria em Hannover até morrer.
Os duques lhe davam tarefas de todo tipo. Entre 1680 e 1686, ele tentou drenar as minas de prata das montanhas do Harz com moinhos de vento. Os mineiros desconfiavam, o vento era irregular, e o projeto fracassou. Depois, recebeu a missão de escrever a história da família ducal. Viajou três anos por arquivos da Alemanha, da Áustria e da Itália, e descobriu que a família descendia da casa italiana d’Este. A história nunca foi terminada.
No meio disso tudo, publicou o cálculo em 1684, fundou a Academia de Ciências de Berlim em 1700, aconselhou o czar Pedro, o Grande, sobre a criação de uma academia em São Petersburgo, que mais tarde seria a casa de Euler, e escreveu cerca de 15 mil cartas para mais de mil correspondentes. Seus papéis estão hoje no registro Memória do Mundo da UNESCO.
O melhor dos mundos possíveis
Como filósofo, Leibniz defendeu que Deus, sendo bom e sábio, escolheu criar o melhor dos mundos possíveis, e que o mal existe porque um mundo sem ele seria, no conjunto, pior. Voltaire achou a ideia ridícula e, em 1759, satirizou-a no romance Cândido, em que o professor Pangloss repete “tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis” enquanto sofre uma desgraça atrás da outra.
Um fim solitário
Os últimos anos foram amargos. A briga com Newton pela invenção do cálculo o deixou isolado. Em 1714, seu patrão, o duque Jorge Luís, tornou-se rei da Inglaterra como Jorge I e foi para Londres. Leibniz pediu para ir junto e ouviu um não: deveria ficar em Hannover e terminar a história da família.
Morreu em 14 de novembro de 1716, aos 70 anos. Nunca se casou. Conta-se que só o seu secretário acompanhou o enterro. A Royal Society, da qual era membro, não registrou sua morte. A Academia de Paris foi a única a fazer um elogio fúnebre.
Hoje, o túmulo na igreja Neustädter, em Hannover, traz apenas duas palavras em latim: Ossa Leibnitii, “os ossos de Leibniz”.
Fontes: vida e obra, MacTutor · acervo de Leibniz na Gottfried Wilhelm Leibniz Bibliothek.
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