A vida de René Descartes
Linha do tempo
- 1596Nasce em 31 de março, em La Haye, na região da Touraine, na França.
- 1607Entra no colégio jesuíta de La Flèche, um dos melhores da Europa.
- 1616Forma-se em Direito pela Universidade de Poitiers.
- 1618Entra para o exército de Maurício de Nassau, na Holanda, e conhece Isaac Beeckman.
- 1619Na noite de 10 de novembro, tem três sonhos que decide seguir como uma missão.
- 1628Muda-se para a Holanda, onde vive por cerca de 20 anos.
- 1633Desiste de publicar O Mundo ao saber da condenação de Galileu.
- 1637Publica o Discurso do Método, com o apêndice A Geometria.
- 1641Publica as Meditações sobre a Filosofia Primeira.
- 1643Começa a trocar cartas com a princesa Elisabeth da Boêmia.
- 1649Vai a Estocolmo, a convite da rainha Cristina da Suécia.
- 1650Morre em 11 de fevereiro, em Estocolmo.
- Nasce numa pequena cidade da Touraine, que hoje se chama Descartes em sua homenagem.
- Estuda no colégio jesuíta de La Flèche, um dos melhores da Europa. Tem licença para ficar na cama de manhã.
- Forma-se em Direito pela Universidade de Poitiers.
- Entra para o exército de Maurício de Nassau e conhece Isaac Beeckman, que o desafia com problemas de física e matemática.
- Numa noite de inverno, num quarto aquecido por uma estufa, tem os três sonhos que decide seguir como uma missão.
- Vive cerca de vinte anos nas Províncias Unidas, mudando de casa muitas vezes. Publica em Leiden o Discurso do Método (1637), com A Geometria.
- Vai a convite da rainha Cristina, que quer aulas às cinco da manhã. Morre de pneumonia em 11 de fevereiro de 1650.
A vida de Descartes
Infância e o colégio de La Flèche
René Descartes nasceu numa pequena cidade da França que hoje se chama, em homenagem a ele, Descartes. A mãe morreu quando ele tinha pouco mais de um ano, e ele foi criado pela avó. Era uma criança de saúde frágil.
Aos 11 anos entrou no colégio jesuíta de La Flèche. Por causa da saúde, ganhou uma permissão especial: podia ficar na cama até tarde pela manhã. Descartes manteve o hábito a vida inteira e dizia que era deitado, pensando com calma, que tinha as melhores ideias. Do colégio saiu encantado com a matemática, “por causa da certeza e da evidência das suas razões”, e decepcionado com o resto: achava que as outras disciplinas eram construídas sobre bases incertas.
O soldado e os três sonhos
Depois de estudar Direito, Descartes decidiu “estudar o grande livro do mundo” e se alistou como voluntário no exército de Maurício de Nassau, na Holanda. Lá conheceu o cientista Isaac Beeckman, que o fez voltar a se interessar por problemas de matemática e física.
Em 10 de novembro de 1619, no inverno do sul da Alemanha, Descartes passou o dia trancado num quarto aquecido por um fogão, pensando. Naquela noite teve três sonhos que interpretou como um chamado: construir todo o conhecimento sobre uma base tão segura quanto a da matemática.
Holanda: vinte anos de trabalho
Em 1628 Descartes se mudou para a Holanda, país mais tolerante com ideias novas, e trocou de endereço muitas vezes para ser deixado em paz. Estava quase terminando um grande livro de física, O Mundo, quando soube em 1633 que Galileu tinha sido condenado pela Inquisição por defender que a Terra gira em torno do Sol. Como o livro defendia a mesma ideia, ele desistiu de publicá-lo. O Mundo só saiu em 1664, depois da morte do autor.
Em 1637 publicou, sem pôr o próprio nome, o Discurso do Método, escrito em francês e não em latim, para que qualquer pessoa pudesse ler. O livro trazia três apêndices que mostravam o método em ação: A Dióptrica (sobre a luz e as lentes), Os Meteoros (sobre o clima e o arco-íris) e A Geometria, onde nasce a geometria analítica.
Na Holanda nasceu sua filha Francine, em 1635. Ela morreu de escarlatina aos cinco anos, e Descartes disse que essa foi a maior dor da sua vida.
O método e o “penso, logo existo”
O Discurso do Método propõe quatro regras para pensar bem. Elas continuam sendo um ótimo roteiro para resolver problemas de matemática:
As quatro regras do método (clique para ver a próxima)
- Evidência: só aceitar como verdadeiro o que for claro e indiscutível.
- Análise: dividir cada dificuldade em quantas partes forem necessárias.
- Ordem: começar pelo mais simples e subir aos poucos até o mais complexo.
- Revisão: fazer enumerações tão completas que haja certeza de nada ter sido esquecido.
Para achar uma primeira verdade indiscutível, Descartes resolveu duvidar de tudo: dos sentidos, que às vezes enganam, e até da matemática, porque um “gênio maligno” poderia enganá-lo nas contas. Mas, enquanto duvida, alguém está duvidando. E duvidar é pensar. Daí a frase mais famosa da filosofia: “Penso, logo existo” (Cogito, ergo sum, na versão em latim).
Suécia: o último inverno
Descartes manteve uma longa troca de cartas com a princesa Elisabeth da Boêmia, uma das suas leitoras mais afiadas. Numa dessas cartas, de 1643, aparece o teorema dos círculos que veremos adiante.
Em 1649 a rainha Cristina da Suécia o convidou para ensinar filosofia em Estocolmo. As aulas eram às cinco da manhã, no inverno sueco, para o homem que passou a vida acordando tarde. Poucos meses depois ele pegou uma pneumonia e morreu em 11 de fevereiro de 1650, aos 53 anos. Uma hipótese moderna e polêmica sugere que ele teria sido envenenado, mas a explicação aceita continua sendo a pneumonia.
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