FUVEST 2025 – 1ª fase: Matemática resolvida
Fonte: FUVEST – prova de Conhecimentos Gerais, versão V1 e gabarito oficial da 1ª fase (17/11/2024), disponíveis no acervo da FUVEST 2025.
A 1ª fase da FUVEST 2025 foi uma prova de Conhecimentos Gerais com 90 questões de todas as disciplinas. Este post traz só as questões de matemática. A numeração usada aqui é a da Prova V1; nas versões V2, V3 e V4 as mesmas questões aparecem com outros números.
Gabarito
| Questão | Assunto | Gabarito |
|---|---|---|
| 16 | Porcentagem: inclinação de rampas | C |
| 17 | Distância entre pontos no plano | C |
| 45 | Média aritmética | E |
| 48 | Leitura de gráficos e porcentagem | D |
| 52 | Função cosseno: transformação do gráfico | D |
| 69 | Função modular e parábolas | B |
| 70 | Progressão aritmética | A |
| 75 | Volume de tronco de cone | A |
| 76 | Volume e área lateral de cilindros | D |
| 77 | Posição relativa de circunferências | E |
Questão 16: Inclinação de uma rampa acessível (porcentagem)
Enunciado
A construção de uma rampa que seja acessível a usuários de cadeira de rodas deve seguir a norma ABNT NBR 9050. Esse documento regulamenta a inclinação que a rampa deve ter a depender do desnível máximo de cada segmento de rampa, conforme o seguinte quadro:
Inclinação e desnível máximo de cada segmento de rampa
| Desnível $h$ (em m) | Inclinação $i$ admissível (em %) |
|---|---|
| $1 < h \le 1{,}5$ | $5$ |
| $0{,}8 < h \le 1$ | $5 < i \le 6{,}25$ |
| $0 < h \le 0{,}8$ | $6{,}25 < i \le 8{,}33$ |
Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Disponível em https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/ (Adaptado).
A inclinação $i$ da rampa em porcentagem (%) é calculada dividindo a altura $h$ do desnível do segmento da rampa, em metros, pelo comprimento da projeção horizontal $c$, em metros, e multiplicando o resultado por 100. A figura a seguir mostra uma rampa de dois segmentos.
Determinada rampa de dois segmentos foi construída da seguinte maneira:
- o primeiro segmento possui projeção horizontal de 10 m e inclinação de 6%;
- o segundo segmento possui projeção horizontal de 7 m e desnível de 0,5 m.
Com base no que foi apresentado sobre a normativa, o que é correto afirmar sobre a adequação dessa rampa à norma de acessibilidade?
- A) A rampa não está adequada, pois os dois segmentos não estão de acordo com a norma.
- B) A rampa está adequada, pois os dois segmentos estão de acordo com a norma.
- C) A rampa não está adequada, pois o primeiro segmento não está de acordo com a norma.
- D) A rampa não está adequada, pois o segundo segmento não está de acordo com a norma.
- E) A rampa está adequada, pois, apesar de o segundo segmento não estar de acordo com a norma, o primeiro está.
Resolução
A fórmula dada é
$$i = \frac{h}{c} \cdot 100$$e o quadro associa cada faixa de desnível $h$ a uma faixa de inclinação $i$. Para cada segmento, precisamos descobrir o desnível, ver em que linha do quadro ele cai e conferir se a inclinação está na faixa daquela linha.
1. Primeiro segmento. Conhecemos $c = 10$ m e $i = 6$. O desnível sai da fórmula:
$$6 = \frac{h}{10} \cdot 100 \quad\Rightarrow\quad h = \frac{6 \cdot 10}{100} = 0{,}6 \text{ m}$$Como $0 < 0{,}6 \le 0{,}8$, vale a última linha do quadro: a inclinação deveria satisfazer $6{,}25 < i \le 8{,}33$. Mas $i = 6$ não está nessa faixa ($6 < 6{,}25$). O primeiro segmento não está de acordo com o quadro.
2. Segundo segmento. Conhecemos $c = 7$ m e $h = 0{,}5$ m:
$$i = \frac{0{,}5}{7} \cdot 100 = \frac{50}{7} \approx 7{,}14$$Como $h = 0{,}5$ também está na faixa $0 < h \le 0{,}8$, a inclinação deve satisfazer $6{,}25 < i \le 8{,}33$. E $7{,}14$ está nessa faixa: o segundo segmento está de acordo.
3. Conclusão. A rampa não está adequada por causa do primeiro segmento.
Resposta: alternativa C.
Cuidado com a pegadinha: a tentação é pensar “6% é menos inclinado que 8,33%, então está ótimo” e marcar B. A questão pede para usar o quadro como foi dado, e nele cada faixa de desnível tem a sua faixa de inclinação; 6% fica fora da faixa correspondente a 0,6 m. O gabarito oficial é C.
Para revisar, veja Básico de Porcentagem.
Questão 17: Travessia na Rua da Consolação (distância entre pontos)
Enunciado
A imagem a seguir mostra um cruzamento da Rua da Consolação, na região central da cidade de São Paulo, em que há faixas de pedestre em diferentes direções. Essas faixas agilizam a travessia das ruas. Uma pessoa parte do ponto O e deseja chegar ao ponto C. Para tanto, percorre o trajeto pela faixa que liga O a B e, em seguida, utiliza a faixa que liga B a C. Considere que as coordenadas dos pontos indicados na figura, em metros, são: O(0,0), B(13,-15) e C(29,-8).
Seja $d$ a distância, em metros, que essa pessoa deixaria de percorrer se tivesse optado por fazer a travessia pela faixa de pedestre que liga O a C. Nesse contexto, é correto afirmar:
- A) $d < 2$
- B) $2 \le d < 5$
- C) $5 \le d \le 8$
- D) $8 < d \le 11$
- E) $11 < d$
Resolução
A distância entre dois pontos $(x_1, y_1)$ e $(x_2, y_2)$ é dada pelo teorema de Pitágoras:
$$\sqrt{(x_2 - x_1)^2 + (y_2 - y_1)^2}$$1. Caminho O → B:
$$OB = \sqrt{13^2 + (-15)^2} = \sqrt{169 + 225} = \sqrt{394} \approx 19{,}85$$2. Caminho B → C:
$$BC = \sqrt{(29 - 13)^2 + (-8 + 15)^2} = \sqrt{16^2 + 7^2} = \sqrt{256 + 49} = \sqrt{305} \approx 17{,}46$$3. Caminho direto O → C:
$$OC = \sqrt{29^2 + (-8)^2} = \sqrt{841 + 64} = \sqrt{905} \approx 30{,}08$$4. Diferença. A distância que a pessoa deixaria de percorrer é
$$d = OB + BC - OC \approx 19{,}85 + 17{,}46 - 30{,}08 \approx 7{,}23$$Sem calculadora, basta estimar as raízes: $19^2 = 361 < 394 < 400 = 20^2$, $17^2 = 289 < 305 < 324 = 18^2$ e $30^2 = 900 < 905$. Os valores ficam perto de $19{,}8$, $17{,}5$ e $30{,}1$, e $d$ fica em torno de 7.
Resposta: alternativa C ($5 \le d \le 8$).
Para revisar, veja Teorema de Pitágoras.
Questão 45: Expectativa de vida de homens e mulheres (média aritmética)
Enunciado
Considere que a expectativa de vida no Brasil à idade de 19 anos pode ser calculada, de forma aproximada, como a média aritmética simples entre a expectativa de vida estimada à mesma idade dos homens e das mulheres. O mesmo pode ser feito à idade de 20 anos.
Segundo dados do IBGE, em 2022, a expectativa de vida estimada no Brasil à idade de 19 anos era 58, e a expectativa de vida estimada dos homens à mesma idade era 54,7.
Sabe-se que a diferença entre a expectativa de vida estimada dos homens e a das mulheres se manteve à idade de 20 anos e que a expectativa de vida estimada dos homens a essa idade (EVH20) era 53,8.
Com base nos dados apresentados, assinale a alternativa que apresenta a expectativa de vida estimada das mulheres à idade de 19 anos (EVM19) e a expectativa de vida estimada à idade de 20 anos no Brasil (EVB20) em 2022.
| EVM19 | EVB20 | |
|---|---|---|
| A) | 54,7 | 54,7 |
| B) | 54,7 | 58 |
| C) | 60 | 54 |
| D) | 61,3 | 56 |
| E) | 61,3 | 57,1 |
Resolução
1. Expectativa das mulheres aos 19 anos. A expectativa do Brasil é a média entre homens e mulheres:
$$58 = \frac{54{,}7 + M_{19}}{2} \quad\Rightarrow\quad M_{19} = 116 - 54{,}7 = 61{,}3$$2. Diferença entre mulheres e homens. Aos 19 anos:
$$61{,}3 - 54{,}7 = 6{,}6$$O enunciado diz que essa diferença se mantém aos 20 anos.
3. Expectativa das mulheres aos 20 anos.
$$M_{20} = 53{,}8 + 6{,}6 = 60{,}4$$4. Expectativa do Brasil aos 20 anos. De novo a média:
$$\text{EVB}_{20} = \frac{53{,}8 + 60{,}4}{2} = \frac{114{,}2}{2} = 57{,}1$$(Outro jeito: como a diferença é a mesma, a média fica sempre $6{,}6 / 2 = 3{,}3$ acima da expectativa dos homens: $53{,}8 + 3{,}3 = 57{,}1$.)
Resposta: alternativa E (61,3 e 57,1).
Cuidado com a pegadinha: a alternativa D tem o valor certo de EVM19 (61,3), mas um EVB20 errado. Não basta acertar a primeira parte.
Para revisar, veja Medidas de Posição.
Questão 48: Abate de bovinos (leitura de gráficos e porcentagem)
Enunciado
Os gráficos a seguir apresentam a evolução do abate de bovinos e da participação de machos e fêmeas, por trimestre (indicado por algarismo romano), segundo informações obtidas pelo IBGE.
IBGE: Diretoria de Pesquisas. Coordenação de Estatísticas Agropecuárias. Pesquisa Trimestral do Abate de Animais 2019-2024 (Adaptado).
A partir dos dados observados nos gráficos, é correto afirmar:
- A) No primeiro trimestre de 2023, a diferença entre as quantidades de machos e fêmeas abatidos foi menor que a do primeiro trimestre de 2019.
- B) No primeiro trimestre de 2023, a quantidade de fêmeas abatidas foi de, aproximadamente, 2 milhões.
- C) No primeiro trimestre de 2021 e de 2022, a diferença entre as quantidades de machos e fêmeas abatidos foi igual.
- D) No primeiro trimestre de 2024, a quantidade de fêmeas abatidas foi de, aproximadamente, 4,3 milhões.
- E) No primeiro trimestre de 2024, a quantidade de fêmeas abatidas foi igual à do primeiro trimestre de 2019.
Resolução
O primeiro gráfico dá o total de animais abatidos (em milhões) e o segundo dá a porcentagem de machos e de fêmeas. A quantidade de fêmeas, por exemplo, é porcentagem de fêmeas × total. Todas as alternativas falam do 1º trimestre, e os valores desses trimestres estão escritos nos gráficos:
| 1º trimestre | Total (milhões) | Machos | Fêmeas |
|---|---|---|---|
| 2019 | 7,93 | 53,4% | 46,6% |
| 2021 | 6,60 | 63,2% | 36,8% |
| 2022 | 7,01 | 60,5% | 39,5% |
| 2023 | 7,44 | 55,2% | 44,8% |
| 2024 | 9,30 | 53,8% | 46,2% |
1. Alternativa A. Diferença machos − fêmeas:
- 2019: $7{,}93 \cdot (0{,}534 - 0{,}466) = 7{,}93 \cdot 0{,}068 \approx 0{,}54$ milhão;
- 2023: $7{,}44 \cdot (0{,}552 - 0{,}448) = 7{,}44 \cdot 0{,}104 \approx 0{,}77$ milhão.
Em 2023 a diferença foi maior. A é falsa.
2. Alternativa B. Fêmeas em 2023: $7{,}44 \cdot 0{,}448 \approx 3{,}33$ milhões, não 2 milhões. B é falsa.
3. Alternativa C. Diferença machos − fêmeas:
- 2021: $6{,}60 \cdot (0{,}632 - 0{,}368) = 6{,}60 \cdot 0{,}264 \approx 1{,}74$ milhão;
- 2022: $7{,}01 \cdot (0{,}605 - 0{,}395) = 7{,}01 \cdot 0{,}210 \approx 1{,}47$ milhão.
Não são iguais. C é falsa.
4. Alternativa D. Fêmeas em 2024:
$$9{,}30 \cdot 0{,}462 \approx 4{,}30 \text{ milhões}$$D é verdadeira.
5. Alternativa E. Fêmeas em 2019: $7{,}93 \cdot 0{,}466 \approx 3{,}70$ milhões, bem menos que os 4,30 milhões de 2024. E é falsa.
Resposta: alternativa D (cerca de 4,3 milhões de fêmeas).
Cuidado com a pegadinha: as porcentagens de fêmeas em 2019 (46,6%) e em 2024 (46,2%) são quase iguais, o que leva à alternativa E. Mas o total de animais abatidos mudou muito (de 7,93 para 9,30 milhões), então as quantidades de fêmeas são bem diferentes.
Para revisar, veja Básico de Porcentagem.
Questão 52: Onda AM e a função cosseno
Enunciado
As enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul, em maio de 2024, prejudicaram a infraestrutura de comunicação. A população afetada era informada sobre as notícias relativas às enchentes ao sintonizar, por rádio de pilhas, frequências de onda AM, cujo alcance é maior.
Uma onda AM é modelada matematicamente por equações que envolvem a função cosseno, cuja variável independente é o tempo $t$, que aparece multiplicado pela frequência $f$ da onda.
Como exemplo, pode-se considerar a equação referente ao processo de modulação de uma onda AM:
$$s(t) = A\left[1 + k \thinspace m(t)\right]\cos(2\pi f t),$$em que $A$ é a amplitude, $f$ a frequência, $k$ a constante da sensibilidade à amplitude e $m(t)$ o sinal que contém a informação.
Quando a frequência $f$ é multiplicada por 3, o comprimento da onda sofre alteração. Por causa dessa multiplicação, qual transformação ocorre no gráfico da função cosseno original?
- A) Expansão vertical.
- B) Translação horizontal.
- C) Expansão horizontal.
- D) Contração horizontal.
- E) Contração vertical.
Resolução
1. O que muda. Multiplicar $f$ por 3 troca $\cos(2\pi f t)$ por
$$\cos(2\pi \cdot 3f \cdot t) = \cos\big(3 \cdot (2\pi f t)\big)$$Ou seja, o argumento do cosseno fica multiplicado por 3. A amplitude $A$ não muda, então não há expansão nem contração vertical.
2. O efeito no período. O período do cosseno $\cos(2\pi f t)$ é $T = \dfrac{1}{f}$. Com frequência $3f$, o novo período é
$$T' = \frac{1}{3f} = \frac{T}{3}$$Cada ciclo completo passa a ocupar um terço do espaço no eixo horizontal (o eixo do tempo). O gráfico fica “espremido” na horizontal.
3. Regra geral. Trocar $g(t)$ por $g(3t)$ comprime o gráfico horizontalmente por um fator 3: o valor que antes aparecia em $t$ agora aparece em $t/3$.
Resposta: alternativa D (contração horizontal).
Cuidado com a pegadinha: o fator 3 multiplica a variável, e isso encolhe o gráfico na horizontal, embora a intuição de “multiplicar por 3” sugira expansão (alternativa C). Não há translação (B): nada é somado a $t$.
Questão 69: Gráfico de uma função com módulo
Enunciado
No plano cartesiano $Oxy$, o gráfico que melhor representa a função $f(x) = |x^2 + 5x - 6| - 5x + 6$ é dado por
Resolução
Para tirar o módulo, precisamos saber onde $x^2 + 5x - 6$ é positivo e onde é negativo.
1. Raízes de dentro do módulo.
$$x^2 + 5x - 6 = 0 \quad\Rightarrow\quad (x + 6)(x - 1) = 0 \quad\Rightarrow\quad x = -6 \text{ ou } x = 1$$A parábola $x^2 + 5x - 6$ tem concavidade para cima, então é não negativa para $x \le -6$ ou $x \ge 1$, e negativa para $-6 < x < 1$.
2. Para $x \le -6$ ou $x \ge 1$ o módulo não muda nada:
$$f(x) = x^2 + 5x - 6 - 5x + 6 = x^2$$3. Para $-6 < x < 1$ o módulo troca o sinal:
$$f(x) = -(x^2 + 5x - 6) - 5x + 6 = -x^2 - 10x + 12$$É uma parábola com concavidade para baixo e vértice em $x_v = -\dfrac{-10}{2 \cdot (-1)} = -5$, com $f(-5) = -25 + 50 + 12 = 37$.
4. Pontos de emenda. $f(-6) = 36$ e $f(1) = 1$ (as duas fórmulas dão o mesmo valor, então o gráfico é contínuo).
5. Montando o gráfico.
- à esquerda de $-6$: parte da parábola $y = x^2$, subindo muito ($f(-7) = 49$);
- entre $-6$ e $-5$: sobe de 36 até o máximo local 37;
- entre $-5$ e $1$: desce de 37 até 1, passando por $f(0) = 12$;
- à direita de $1$: parábola $y = x^2$, subindo de novo.
O gráfico fica sempre acima do eixo $x$, tem um pequeno “bico” perto de $x = -6$ (com máximo local em $(-5, 37)$), corta o eixo $y$ em 12 e tem um mínimo em $(1, 1)$. É exatamente o gráfico B.
Resposta: alternativa B.
Cuidado com a pegadinha: o gráfico D é a parábola $y = x^2$ inteira, que é o que se obtém esquecendo o módulo (sem ele, $x^2 + 5x - 6 - 5x + 6 = x^2$ para todo $x$). O gráfico C é o de B refletido no eixo $x$, com valores negativos, o que é impossível aqui, porque $f(x) \ge 0$ nas duas partes.
Para revisar, veja Equação do 2° grau.
Questão 70: Sequência formada somando os termos de uma PA
Enunciado
Seja $(a_n)$ uma progressão aritmética cujo primeiro termo é $a_1$ e a razão $r$, ambos números reais. É possível construir uma outra sequência $(b_n)$, em que o primeiro termo é um número real $b_1$ e com a seguinte lei de formação
$$b_{n+1} = b_n + a_n,$$sendo $n > 0$ um número natural.
Por exemplo, se $b_1 = 0$ e
$$(a_n) = (1, 3, 5, 7, 9, 11, \ldots),$$tem-se
$$(b_n) = (0, 1, 4, 9, 16, 25, \ldots).$$Com base em tais informações, os valores de $a_1$ e $r$ foram escolhidos de forma que $(b_n)$ também seja uma progressão aritmética de razão $r'$. Nessas condições, é correto afirmar:
- A) $r' = a_1$
- B) $r' = 2a_1$
- C) $r' = r$
- D) $r' = 2r$
- E) $r' = b_1 - a_1$
Resolução
1. A diferença entre termos consecutivos de $(b_n)$. Da lei de formação:
$$b_{n+1} - b_n = a_n$$2. Condição para $(b_n)$ ser PA. Uma sequência é PA de razão $r'$ quando a diferença entre termos consecutivos é sempre a mesma, $r'$. Então precisamos de
$$a_n = r' \quad \text{para todo } n$$Ou seja, $(a_n)$ tem de ser constante: $a_1 = a_2 = a_3 = \ldots$, o que obriga $r = 0$.
3. A razão. Com $r = 0$, todos os termos de $(a_n)$ valem $a_1$, e
$$r' = b_{n+1} - b_n = a_1$$Conferindo com um exemplo: $a_1 = 2$, $r = 0$ e $b_1 = 5$ dão $(a_n) = (2, 2, 2, \ldots)$ e $(b_n) = (5, 7, 9, 11, \ldots)$, uma PA de razão $2 = a_1$.
Resposta: alternativa A ($r' = a_1$).
Cuidado com a pegadinha: a alternativa C ($r' = r$) parece natural, mas como $r$ precisa ser 0, ela diria que $(b_n)$ é constante, o que só acontece se $a_1 = 0$. O exemplo do enunciado mostra que, em geral, $(b_n)$ não é PA (0, 1, 4, 9, … são os quadrados perfeitos).
Para revisar, veja Progressão Aritmética.
Questão 75: Capacidade de um vaso (tronco de cone)
Enunciado
Um designer de produtos deseja fabricar um vaso para flores conforme a figura a seguir.
Sabe-se que a base e o topo do vaso são uma circunferência de raio $R$ que mede 10 cm, a parte central é uma circunferência de raio $r$ de 5 cm e a medida $h$ mede 12 cm. Qual é a capacidade volumétrica desse vaso em cm³?
- A) $1400\pi$
- B) $2100\pi$
- C) $2400\pi$
- D) $2600\pi$
- E) $2800\pi$
Resolução
O vaso é formado por dois troncos de cone iguais, unidos pela base menor: cada um tem base maior de raio $R = 10$, base menor de raio $r = 5$ e altura $h = 12$.
1. Volume de um tronco de cone.
$$V_{\text{tronco}} = \frac{\pi h}{3}\left(R^2 + Rr + r^2\right) = \frac{\pi \cdot 12}{3}\left(100 + 50 + 25\right) = 4\pi \cdot 175 = 700\pi$$2. Conferindo por outro caminho. O tronco é um cone grande menos um cone pequeno. Como o raio cai de 10 para 5 em 12 cm, o cone grande tem altura 24 e o pequeno, 12:
$$\frac{1}{3}\pi \cdot 10^2 \cdot 24 - \frac{1}{3}\pi \cdot 5^2 \cdot 12 = 800\pi - 100\pi = 700\pi$$3. Volume do vaso. São dois troncos:
$$V = 2 \cdot 700\pi = 1400\pi \text{ cm}^3$$Resposta: alternativa A ($1400\pi$ cm³).
Cuidado com a pegadinha: tratar cada metade como um cilindro de raio 10 dá $2 \cdot \pi \cdot 100 \cdot 12 = 2400\pi$ (alternativa C), que ignora o estreitamento do vaso no meio.
Questão 76: Volume e área lateral de cilindros
Enunciado
Considere um cilindro $C$ de altura $h > 0$ e cujo raio das circunferências, do topo e da base, é $r > 0$; um cilindro $C_1$ cujo raio é igual ao de $C$ e altura igual a $\frac{h}{2}$; e um cilindro $C_2$ com altura $h$ e raio igual a $\frac{r}{2}$.
Sendo $V$, $V_1$ e $V_2$ os volumes e $A$, $A_1$ e $A_2$ as áreas laterais dos cilindros $C$, $C_1$ e $C_2$, respectivamente, é correto afirmar:
- A) $V = V_1 + V_2$ e $A = A_1 + A_2$
- B) $V = V_1 + V_2$ e $A = A_1 + 2A_2$
- C) $V = V_1 + 2V_2$ e $A = A_1 + 2A_2$
- D) $V = V_1 + 2V_2$ e $A = A_1 + A_2$
- E) $V = 2V_1 + 2V_2$ e $A = 2A_1 + 2A_2$
Resolução
Para um cilindro de raio $\rho$ e altura $H$: volume $\pi \rho^2 H$ e área lateral $2\pi \rho H$.
1. Cilindro $C$ (raio $r$, altura $h$):
$$V = \pi r^2 h, \qquad A = 2\pi r h$$2. Cilindro $C_1$ (raio $r$, altura $h/2$):
$$V_1 = \pi r^2 \cdot \frac{h}{2} = \frac{V}{2}, \qquad A_1 = 2\pi r \cdot \frac{h}{2} = \pi r h = \frac{A}{2}$$3. Cilindro $C_2$ (raio $r/2$, altura $h$):
$$V_2 = \pi \left(\frac{r}{2}\right)^2 h = \frac{\pi r^2 h}{4} = \frac{V}{4}, \qquad A_2 = 2\pi \cdot \frac{r}{2} \cdot h = \pi r h = \frac{A}{2}$$4. Testando as relações.
- Volumes: $V_1 + 2V_2 = \dfrac{V}{2} + \dfrac{2V}{4} = V$. ✔ (E $V_1 + V_2 = \frac{3V}{4} \ne V$.)
- Áreas: $A_1 + A_2 = \dfrac{A}{2} + \dfrac{A}{2} = A$. ✔ (E $A_1 + 2A_2 = \frac{3A}{2} \ne A$.)
Resposta: alternativa D ($V = V_1 + 2V_2$ e $A = A_1 + A_2$).
Cuidado com a pegadinha: reduzir o raio pela metade divide o volume por 4 (o raio aparece ao quadrado), mas divide a área lateral só por 2. Quem trata os dois do mesmo jeito cai em A ou C.
Questão 77: Duas circunferências no plano cartesiano
Enunciado
Em relação ao plano cartesiano $Oxy$, é correto afirmar que as equações $x^2 + y^2 - 4x = -3$ e $x^2 + y^2 - 4y = -3$ representam
- A) duas circunferências com raios de mesma medida e que se interceptam em dois pontos.
- B) duas circunferências com raios de medidas diferentes e que se interceptam em dois pontos.
- C) duas circunferências que se interceptam em um único ponto.
- D) duas circunferências concêntricas e que não se interceptam.
- E) duas circunferências com centros distintos e que não se interceptam.
Resolução
1. Completando quadrados na primeira equação.
$$x^2 - 4x + 4 + y^2 = -3 + 4 \quad\Rightarrow\quad (x - 2)^2 + y^2 = 1$$Circunferência de centro $(2, 0)$ e raio 1.
2. Completando quadrados na segunda equação.
$$x^2 + y^2 - 4y + 4 = -3 + 4 \quad\Rightarrow\quad x^2 + (y - 2)^2 = 1$$Circunferência de centro $(0, 2)$ e raio 1.
3. Distância entre os centros.
$$d = \sqrt{(2 - 0)^2 + (0 - 2)^2} = \sqrt{8} = 2\sqrt{2} \approx 2{,}83$$4. Posição relativa. A soma dos raios é $1 + 1 = 2$. Como $d \approx 2{,}83 > 2$, as circunferências são exteriores: não se tocam. Os centros são distintos (não são concêntricas).
Conferindo pela álgebra: subtraindo as equações, $-4x + 4y = 0$, ou seja, $y = x$. Substituindo na primeira: $2x^2 - 4x + 3 = 0$, com $\Delta = 16 - 24 = -8 < 0$. Não há ponto em comum.
Resposta: alternativa E.
Cuidado com a pegadinha: as duas têm o mesmo raio, o que atrai para a alternativa A. Mas raios iguais não garantem interseção: os centros estão longe demais.
Para revisar, veja Circunferências.