O teorema dos círculos que se beijam
Na carta de 1643 à princesa Elisabeth, Descartes tratou de quatro círculos tangentes dois a dois. Chame de curvatura de um círculo o inverso do raio, $k = \frac{1}{r}$. O teorema diz que as curvaturas satisfazem
Aplicação: três moedas iguais de raio 1 se tocam duas a duas. Qual o raio do círculo que cabe no buraco entre elas? Com $k_1 = k_2 = k_3 = 1$ e $k_4 = k$:
- Com o sinal $+$: $k = 3 + 2\sqrt{3} \approx 6{,}46$, ou seja, raio $\approx 0{,}155$. É o círculo pequeno no meio.
- Com o sinal $-$: $k = 3 - 2\sqrt{3} \approx -0{,}46$. A curvatura negativa indica um círculo que envolve os outros três, de raio $\approx 2{,}155$.
Confira pela geometria: os centros das moedas formam um triângulo equilátero de lado 2, cujo centro está a $\frac{2}{\sqrt{3}} \approx 1{,}155$ de cada vértice. O círculo do meio tem raio $1{,}155 - 1 = 0{,}155$, e o que envolve tudo tem raio $1{,}155 + 1 = 2{,}155$. As contas batem.
Todos os tópicos de René Descartes · ← Os ângulos dos poliedros e a fórmula de Euler · Por que o arco-íris aparece a 42° →