A vida de Albert Einstein
Linha do tempo
- 1879Nasce em 14 de março, em Ulm, no sul da Alemanha. A família logo se muda para Munique.
- 1891Aos 12 anos, ganha um livro de geometria euclidiana, que chamaria de “livrinho sagrado”.
- 1895É reprovado no exame de admissão da Escola Politécnica de Zurique, apesar das notas altas em matemática e física.
- 1900Forma-se em Zurique. Passa dois anos sem emprego fixo.
- 1902Começa a trabalhar no escritório de patentes de Berna, como “técnico de terceira classe”.
- 1905O ano milagroso: quatro artigos que mudam a física e uma tese de doutorado.
- 1909Deixa o escritório de patentes e torna-se professor em Zurique.
- 1914Muda-se para Berlim, como membro da Academia Prussiana de Ciências.
- 1915Apresenta as equações da relatividade geral.
- 1919O eclipse de 29 de maio, observado em Sobral e na ilha do Príncipe, confirma a teoria. Einstein fica mundialmente famoso.
- 1922É anunciado o seu Nobel de Física de 1921, pelo efeito fotoelétrico.
- 1925Visita o Rio de Janeiro, entre 4 e 12 de maio.
- 1933Com a chegada dos nazistas ao poder, deixa a Alemanha. Instala-se em Princeton, nos Estados Unidos.
- 1939Assina uma carta ao presidente Roosevelt sobre a possibilidade de uma bomba atômica.
- 1955Morre em 18 de abril, em Princeton.
- Nasce em 14 de março. A família logo se muda.
- Ganha o “livrinho sagrado” de geometria e detesta o colégio, onde se aprende de cor.
- Aos 15 anos larga a escola e vai atrás da família, que se mudou para a Itália.
- Reprovado no exame de Zurique, termina o ensino médio numa escola suíça mais livre.
- Estuda na Escola Politécnica e forma-se em 1900. Passa dois anos sem emprego fixo.
- Técnico de terceira classe no escritório de patentes. Em 1905, o ano milagroso, escreve quatro artigos que mudam a física.
- Professor na Universidade de Praga, entre duas temporadas em Zurique.
- Membro da Academia Prussiana. Apresenta a relatividade geral (1915) e fica famoso depois do eclipse de 1919.
- Passa oito dias no Rio, de 4 a 12 de maio, e se encanta com o Jardim Botânico.
- Com a chegada dos nazistas ao poder, deixa a Alemanha. Trabalha no Instituto de Estudos Avançados até morrer, em 1955.
- 1879 · Ulm
- 1880–1894 · Munique
- 1894–1895 · Itália
- 1895–1896 · Aarau
- 1896–1902 · Zurique
- 1902–1909 · Berna
- 1911–1912 · Praga
- 1914–1932 · Berlim
- 1925 · Rio de Janeiro
- 1933–1955 · Princeton
A bússola e o livrinho sagrado
Albert Einstein nasceu em Ulm, no sul da Alemanha, numa família judia não praticante. O pai, Hermann, e o tio Jakob tinham uma pequena fábrica de equipamentos elétricos em Munique. Albert demorou a falar, e a família chegou a se preocupar. Aos 4 ou 5 anos, de cama, ganhou do pai uma bússola. Ficou fascinado: alguma coisa invisível no espaço fazia a agulha apontar sempre para o mesmo lado. Contaria, já velho, que aquela agulha lhe ensinou que “algo profundamente escondido” existia por trás das coisas.
A segunda maravilha veio aos 12 anos, com um livro de geometria euclidiana. A ideia de que se podia provar, com toda a certeza, que as três alturas de um triângulo se encontram num ponto o impressionou tanto que ele o chamava de “livrinho sagrado de geometria”. Um estudante de medicina pobre, Max Talmud, que jantava com a família às quintas-feiras, passou a lhe emprestar livros de matemática e de filosofia. Aos 16 anos, Einstein já tinha aprendido sozinho o cálculo diferencial e integral.
O aluno que não suportava a escola
Einstein detestava o colégio de Munique, onde se aprendia de cor e se obedecia sem perguntar. Aos 15 anos, quando a família se mudou para a Itália, largou a escola e foi atrás dela. Em 1895, dois anos mais novo que os outros candidatos, tentou o exame de admissão da Escola Politécnica de Zurique e foi reprovado: tirou notas excelentes em matemática e física, mas não passou nas outras matérias. Fez um ano de colégio em Aarau, na Suíça, que adorou, e entrou na Politécnica em 1896.
Ali conheceu a colega sérvia Mileva Marić, única mulher da turma de física, com quem se casaria em 1903. Também faltava às aulas: estudava sozinho os grandes físicos e copiava as anotações do amigo Marcel Grossmann, que seria decisivo anos depois. Formou-se em 1900, mas os professores, irritados com a sua independência, não o recomendaram. Passou dois anos dando aulas particulares e fazendo substituições.
O técnico de terceira classe
Em 1902, graças ao pai de Grossmann, Einstein conseguiu um emprego no escritório federal de patentes de Berna, como “técnico de terceira classe”. O trabalho era examinar pedidos de patente de invenções elétricas, e ele o fazia depressa. Sobrava tempo para pensar, e Einstein dizia que o escritório era o “claustro secular” onde tivera as suas melhores ideias. Com dois amigos, formou um grupo de leitura de filosofia e ciência que eles chamavam, brincando, de Academia Olímpia.
Em 1905, aos 26 anos, sem cargo acadêmico, sem laboratório e sem orientador, Einstein publicou nos Annalen der Physik quatro artigos e terminou uma tese de doutorado. Num só ano, explicou o efeito fotoelétrico, deu a prova de que os átomos existem pelo movimento browniano, criou a relatividade especial e mostrou que massa é energia. Os físicos chamam 1905 de ano milagroso.
Da Suíça a Berlim, e o eclipse
O reconhecimento veio aos poucos. Em 1909, Einstein deixou o escritório de patentes e tornou-se professor em Zurique; depois em Praga, de novo em Zurique e, em 1914, em Berlim. Nesses anos, trabalhou no problema mais difícil da sua vida: incluir a gravidade na relatividade. Precisou aprender uma geometria nova, a de Riemann, e pediu socorro ao velho amigo Grossmann: “Grossmann, você tem que me ajudar, senão eu enlouqueço!”. Em novembro de 1915, chegou às equações da relatividade geral.
A teoria previa que a luz de uma estrela, ao passar perto do Sol, se desvia de um ângulo minúsculo. A única maneira de ver estrelas perto do Sol é durante um eclipse total. Em 29 de maio de 1919, duas expedições britânicas fotografaram o eclipse, uma na ilha do Príncipe, na costa da África, e outra em Sobral, no Ceará. Em 6 de novembro, os resultados foram anunciados em Londres: Einstein estava certo. No dia seguinte, o Times de Londres publicou a manchete “Revolução na ciência”. Einstein, aos 40 anos, ficou de repente famoso no mundo inteiro.
Uma semana no Rio de Janeiro
Em 1925, numa viagem pela América do Sul, Einstein passou pelo Rio de Janeiro e ficou na cidade de 4 a 12 de maio. Deu palestras no Clube de Engenharia e na Escola Politécnica, visitou o Observatório Nacional, o Museu Nacional, o Instituto Oswaldo Cruz e o Jardim Botânico. A imprensa o seguia por toda parte. Um cronista carioca brincou com a teoria, dizendo que no Brasil nada era relativo: nem o aperto das casas, nem o preço do feijão, nem o câmbio, que andava “magro, magríssimo”.
No diário, Einstein anotou o encanto com a natureza:
O Jardim Botânico, bem como a flora em geral, supera os sonhos das mil e uma noites. Tudo vive e cresce, por assim dizer, a olhos vistos.
— Albert Einstein, diário de viagem (maio de 1925)
Na Academia Brasileira de Ciências, em 7 de maio, lembrou o eclipse de Sobral com a frase que abre esta trilha: o problema que o seu cérebro tinha concebido fora resolvido pelo luminoso céu do Brasil.
O exílio
O Nobel de Física de 1921, anunciado só em 1922, premiou o efeito fotoelétrico: a relatividade ainda parecia ousada demais para o comitê. Enquanto isso, na Alemanha, Einstein era alvo de ataques antissemitas, e havia até uma campanha contra a “física judia”. Quando Hitler chegou ao poder, em 1933, Einstein estava nos Estados Unidos. Nunca mais voltou. Instalou-se no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde passou os últimos 22 anos.
Em 1939, assinou uma carta ao presidente Roosevelt, escrita pelo físico Leó Szilárd, alertando que a Alemanha poderia construir uma bomba atômica. Não participou do projeto da bomba, e mais tarde disse que a carta tinha sido o grande erro da sua vida. Em 1952, recusou o convite para ser presidente de Israel. Morreu em Princeton em 18 de abril de 1955, aos 76 anos. Na mesa, ao lado da cama, estavam as contas de uma teoria que tentava unificar a gravidade e o eletromagnetismo, e que ele nunca terminou.
Fontes: biografia, Fundação Nobel · Walter Isaacson, Einstein: sua vida, seu universo (Companhia das Letras, 2007) · Ildeu de Castro Moreira e Antonio Augusto Passos Videira (orgs.), Einstein e o Brasil (Editora UFRJ, 1995).
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