O teorema de Euler e a criptografia
Em 1763, Euler estudou a função $\varphi(n)$ (o símbolo $\varphi$ veio depois, com Gauss): a quantidade de números de 1 a $n$ que não têm fator comum com $n$. Por exemplo, $\varphi(10) = 4$, porque de 1 a 10 só 1, 3, 7 e 9 servem. Ele provou que, se $a$ não tem fator comum com $n$, então
Veja a ideia com $n = 10$ e $a = 3$. Multiplique por 3 os números 1, 3, 7 e 9:
Os restos são 3, 9, 1 e 7: os mesmos quatro números, só embaralhados. Então o produto deles é o mesmo:
Como $1 \cdot 3 \cdot 7 \cdot 9$ não tem fator comum com 10, dá para cancelar dos dois lados: $3^4 \equiv 1 \pmod{10}$. Confira: $3^4 = 81$, que deixa resto 1 na divisão por 10. O mesmo argumento funciona para qualquer $n$ e qualquer $a$ sem fator comum com $n$.
Quando $n$ é primo, $\varphi(n) = n - 1$ e o teorema vira o pequeno teorema de Fermat. Mais de 200 anos depois, em 1977, o teorema de Euler virou a base do RSA, o sistema de criptografia que protege compras pela internet e mensagens no celular.
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