Juro Composto e o número de Euler
John Napier foi tão importante para as aplicações em finanças, que motivou Leonhard Euler a se aventurar nesta área. Um dos números irracionais mais importantes com aplicação em finanças, é devido a estes dois matemáticos.
Juro Composto
A história do juro composto e o número $e$ foi graças a Jacques Bernoulli entre (1654-1705), em que ficou interessado em descobrir o valor máximo de juros em empréstimos recorrendo à técnica de juros compostos.
Com o juro acumulado à partir do valor inicial, dedicou ao estudo de maximização do ganho.
Suponha, com juros simples um capital de R$ 1 com juro de 100% ao final de um ano.
Neste caso, ganhamos 2 reais ao final de um ano.
Porém, caso uma pessoa proponha que ao invés de 1 ano, a taxa de juro é proporcional ao inverso do período elevado ao mesmo período. No caso ele propõe juro composto ao mês (12 meses = 1 ano).
Mais um vez, esta pessoa propõe que a taxa de juro composto ao dia (365 dias = 1 ano).
Não parece muito vantajoso ganharmos 0.71 centavos a mais que na primiera proposta. Mas se o capital fosse de 100 reais, 71 reais pode ser mais vantajoso.
Bernoulli percebeu que o juro tem um certo limite e parece que 2.71 é este fator. O matemático Leonhard Euler entre (1707 a 1783) ficou muito interessado pelos resultados obtidos por Bernoulli. Este número irracional foi uma das maiores revoluções da matemática da época.
Ele demonstrou a irracionalidade deste número através das funções exponenciais e usou frações contínuas. Para ilustramos melhor, vamos mostrar o passo a passo de como chegar ao limite da taxa de juro.
Divisão do ano em 1 período
Inicialmente tomamos:
- Capital $$C_0=100$$
- Juros J=100 % no ano
- Final do primeiro ano $$C_1=C_0+100=200 \quad \Rightarrow \quad \left(1+\frac{1}{1}\right)^1=2$$
| Período | Juro Simples | Juro Composto |
|---|---|---|
| $0$ | $100$ | $100$ |
| $1$ | $100 \left(1+\frac{100}{100}~.~1\right)= 200\quad$ | $100~.~\left(1+\frac{100}{100}\right)^1=200$ |
Divisão do ano em 2 períodos
Inicialmente tomamos:
- Capital $$C_0=100$$
- Juros J = 50 % no semestre
- Final do primeiro semestre $$C_1=C_0+50=150 \quad \Rightarrow \quad \left(1+\frac{1}{2}\right)^1=1.5$$
- Final do segundo semestre $$C_2=C_1+75=225 \quad \Rightarrow \quad \left(1+\frac{1}{2}\right)^2=2.25$$
| Período | Juro Simples | Juro Composto |
|---|---|---|
| 0 | $100$ | $100$ |
| 1 | $100~.~\left(1+\frac{50}{100}\right)= 150\quad$ | $100~.~\left(1+\frac{50}{100}\right)^1=150$ |
| 2 | $100~.~\left(1+\frac{50}{100}~.~2\right)= 200\quad$ | $100~.~\left(1+\frac{50}{100}\right)^2=225$ |
Divisão do ano em 3 períodos
Inicialmente tomamos:
- Capital $$C_0=100$$
- Juros J = 25 % no trimestre
- Final do primeiro trimestre $$C_1=C_0+25=125 \quad \Rightarrow \quad \left(1+\frac{1}{4}\right)^1=1.25$$
- Final do segundo trimestre $$C_2=C_1+31.25=156.25 \quad \Rightarrow \quad \left(1+\frac{1}{4}\right)^2=1.5625$$
- Final do terceiro trimestre $$C_3=C_2+39.06=195.31 \quad \Rightarrow \quad \left(1+\frac{1}{4}\right)^3=1.9531$$
- Final do quarto trimestre $$C_4=C_3+48.83=244.14 \quad \Rightarrow \quad \left(1+\frac{1}{4}\right)^4=2.4414$$
| Período | Juro Simples | Juro Composto |
|---|---|---|
| 0 | $100$ | $100$ |
| 1 | $100~.~\left(1+\frac{25}{100}\right)= 125\quad$ | $100~.~\left(1+\frac{25}{100}\right)^1=125$ |
| 2 | $100~.~\left(1+\frac{25}{100}~.~2\right)= 150\quad$ | $100~.~\left(1+\frac{25}{100}\right)^2=156.25$ |
| 3 | $100~.~\left(1+\frac{25}{100}~.~3\right)= 175\quad$ | $100~.~\left(1+\frac{25}{100}\right)^3=195.31$ |
| 4 | $100~.~\left(1+\frac{25}{100}~.~4\right)= 200\quad$ | $100~.~\left(1+\frac{25}{100}\right)^4=244.1406$ |
Divisão do ano em n períodos
O capital corrigido para o enésimo período é dados por:
Limite para n períodos
Sabemos que mesmo para n períodos quaiquer, temos que ter um limite. Leonhard Euler percebeu isto e definiu a constante universal, que apelidou como
e de Euler, mas em homenagem a John Napier. Para isto, tomamos:
Notamos que:
Desta forma, mais genericamente:
Número de Euler
Os universitários de plantão, podem reconhecer este resultado em calculo I.
$$\lim_{n\rightarrow \infty} \left(1+\frac{1}{n}\right)^n = e$$
Euler também expandiu em série:
$$e = 1 + \frac{1}{1} + \frac{1}{2~.~1} + \frac{1}{3~.~2~.~1} + \frac{1}{4~.~3~.~2~.~1} + \frac{1}{5~.~4~.~3~.~2~.~1} + \dots$$
Resumidamente, temos
$$\text{Euler Napier}\qquad \left(1+\frac{1}{\infty}\right)^\infty = e$$
Só por curiosidade em números complexos, Euler descobriu a relação.
Até o momento é o que podemos falar de juro composto. Aguardem os próximos posts.