Al-Khwarizmi resolvia equações sem escrever um único símbolo. Oitocentos anos depois, Descartes escrevia $xx+10x$ quase como nós. Este capítulo acompanha essa travessia: os números que aprenderam a calcular no papel, a figura que acompanha a prova, os nomes perdidos da trigonometria, as letras que transformaram receitas em fórmulas, os pequenos sinais de operação, os logaritmos de Napier, a grande disputa entre os pontos de Newton e os $d$ de Leibniz, a passagem do $\Sigma$ ao $\int$, as funções de Euler, o limite de Cauchy, a tabuada de Galois, a guerra entre quatérnios e vetores, as equações diferenciais e os sinais da lógica.

O fio condutor é uma pergunta simples: o que esta escrita permite fazer? Algumas notações, que chamamos de ativas, carregam na própria forma as relações do objeto e sugerem o próximo passo. Outras, que chamamos de estéreis, registram o que já se sabe, mas não levam adiante.

Textos do capítulo

  1. Radix quadrati: a matemática também tem uma escrita
  2. O zero e a posição: números que calculam
  3. Euclides: a figura e a prova
  4. Seno, cateto e hipotenusa: a trigonometria e seus nomes perdidos
  5. Das palavras às letras: a álgebra aprende a escrever
  6. +, −, × e =: a pequena história dos sinais
  7. Napier e o logaritmo: a abreviação maravilhosa
  8. Leibniz contra os pontos: notação ativa e notação estéril
  9. Da exaustão à integral: Σ, ∫ e o número π
  10. Euler e as funções: dar nome a uma regra
  11. Cauchy e o limite: como escrever o infinitamente pequeno
  12. Galois e Cayley: uma álgebra para o que não é número
  13. Hamilton, Gibbs e Heaviside: a guerra das setas
  14. Equações diferenciais: a lei em anagrama, o ∂ e o ∇
  15. Boole, Frege e Peano: a escrita do raciocínio
  16. Referências e créditos