Linha do tempo

  1. 1623
    Nasce em 19 de junho, em Clermont, na região de Auvergne, na França.
  2. 1626
    Morre a mãe, Antoinette Begon. Blaise tem 3 anos.
  3. 1631
    O pai, Étienne Pascal, muda-se com os três filhos para Paris.
  4. 1635
    Aos 12 anos, redescobre sozinho que os ângulos de um triângulo somam dois ângulos retos.
  5. 1640
    Aos 16, publica o Ensaio sobre as cônicas, com o teorema do hexágono.
  6. 1642
    Começa a construir a máquina de calcular para ajudar o pai, coletor de impostos em Rouen.
  7. 1647
    Publica as Novas experiências sobre o vazio. Recebe a visita de Descartes.
  8. 1648
    Florin Périer, seu cunhado, mede o peso do ar subindo o Puy de Dôme.
  9. 1654
    Troca cartas com Fermat sobre jogos de azar e escreve o Tratado do triângulo aritmético. Em 23 de novembro, tem a “noite de fogo”.
  10. 1656
    Começa a publicar as Cartas provinciais, sob pseudônimo.
  11. 1658
    Resolve os problemas da cicloide e lança um concurso sobre eles.
  12. 1662
    Inaugura em Paris uma linha de carruagens públicas. Morre em 19 de agosto, aos 39 anos.
  13. 1670
    Os amigos publicam os Pensamentos, organizados a partir das suas anotações.
  1. Nasce em Clermont, na Auvergne. A mãe morre quando ele tem 3 anos.
  2. O pai o educa em casa e o leva às reuniões de Mersenne. Aos 16 anos escreve o Ensaio sobre as cônicas.
  3. O pai é coletor de impostos na Normandia. Para ajudá-lo, Blaise constrói a pascalina e faz as experiências com o vazio.
  4. A pedido de Pascal, o cunhado Florin Périer sobe a montanha com um barômetro e mostra que o ar pesa menos lá em cima.
  5. As cartas a Fermat sobre os jogos de azar, a noite de fogo, as Provinciais, a cicloide e as carruagens públicas. Morre em 1662, aos 39 anos.
  6. Depois da noite de fogo, passa temporadas no mosteiro onde vive a irmã Jacqueline e defende Port-Royal contra os jesuítas.
Pascal entre Clermont, Paris e Rouen, e a montanha que pesou o ar. Mapa: © colaboradores do OpenStreetMap
  1. 1623–1631 · Clermont
  2. 1631–1639 · Paris
  3. 1640–1647 · Rouen
  4. 1648 · Puy de Dôme
  5. 1647–1662 · Paris
  6. 1655 · Port-Royal-des-Champs
Pascal entre Clermont, Paris e Rouen, e a montanha que pesou o ar.
Retrato de Blaise Pascal, de autor desconhecido, por volta de 1690, hoje em Versailles. É uma cópia feita depois da sua morte.
Retrato de Blaise Pascal, de autor desconhecido, por volta de 1690, hoje em Versailles. É uma cópia feita depois da sua morte.Autor desconhecido · Wikimedia Commons · domínio público

Um pai que escondia a geometria

Blaise Pascal nasceu em Clermont, no centro da França, em 1623. A mãe morreu quando ele tinha 3 anos, e o pai, Étienne, um magistrado com gosto por matemática, decidiu educar sozinho os três filhos: Gilberte, Blaise e Jacqueline. Em 1631, a família mudou-se para Paris.

Étienne tinha um plano: primeiro o menino aprenderia latim e grego; matemática, só aos 15 anos, para não roubar espaço das línguas. Escondeu os livros de geometria e pediu aos amigos que não falassem do assunto na frente do filho.

Não adiantou. Segundo a irmã Gilberte, que mais tarde escreveu a biografia do irmão, Blaise, aos 12 anos, começou a desenhar figuras com carvão no chão do quarto. Não sabia os nomes: chamava as retas de “barras” e os círculos de “redondos”. Criou as próprias definições e axiomas e foi deduzindo resultados até chegar, sozinho, a que a soma dos ângulos de um triângulo é igual a dois ângulos retos, a proposição 32 do primeiro livro de Euclides.

Rouen: cônicas e impostos

Em 1638, Étienne protestou contra um corte nos juros pagos pelo governo e caiu em desgraça com o cardeal Richelieu. Precisou fugir de Paris. Quem salvou a família foi a irmã caçula, Jacqueline: aos 13 anos, atuou numa peça de teatro diante do cardeal e, no fim, pediu o perdão do pai. Richelieu não só perdoou como, em 1639, nomeou Étienne coletor de impostos na Normandia, com sede em Rouen.

Lá, aos 16 anos, Blaise publicou o Ensaio sobre as cônicas: uma única folha impressa, com o teorema que hoje leva seu nome. E viu o pai passar noites inteiras somando colunas de livras, soldos e dinheiros. Em 1642, com 19 anos, começou a construir uma máquina que fizesse as contas por ele: a Pascalina.

O vazio e o peso do ar

Em 1646, Étienne escorregou no gelo e quebrou o quadril. Os dois médicos que cuidaram dele eram seguidores do jansenismo, um movimento católico rigoroso, e a família inteira se converteu. Para Blaise, foi a primeira de duas conversões.

No mesmo ano, chegou a Rouen a notícia de uma experiência italiana: Evangelista Torricelli tinha enchido um tubo de mercúrio, virado o tubo de cabeça para baixo numa bacia, e o mercúrio desceu até uns 76 cm, deixando um espaço aparentemente vazio no alto. Pascal repetiu tudo em grande escala, com tubos de vidro de mais de 12 metros cheios de água e de vinho, diante de uma plateia. Em 1647, publicou as Novas experiências sobre o vazio. Descartes foi visitá-lo em Paris e os dois discutiram; não se gostaram.

A grande prova veio em 1648. Pascal pediu ao cunhado, Florin Périer, que subisse o Puy de Dôme, um vulcão extinto perto de Clermont, carregando um tubo de mercúrio. No alto, a coluna ficou mais de 8 cm mais baixa: o ar tem peso, e acima da montanha há menos ar empurrando.

Os salões e os dados

O pai morreu em 1651, e no ano seguinte Jacqueline entrou para o convento de Port-Royal. Blaise, sozinho e rico, passou uma temporada na vida social de Paris. Frequentou salões, carruagens de luxo e jogadores, entre eles o Cavaleiro de Méré, que lhe trouxe dois problemas sobre dados e apostas.

Pascal escreveu a Pierre de Fermat, em Toulouse, e no verão de 1654 as cartas dos dois fundaram a teoria das probabilidades. Para resolver os problemas, Pascal organizou num tratado uma tabela de números que já era antiga: o triângulo aritmético.

A noite de fogo

Na noite de 23 de novembro de 1654, entre dez e meia e meia-noite e meia, Pascal teve uma experiência religiosa intensa. Escreveu tudo num pedaço de papel, que começa com uma única palavra: Fogo. Depois copiou o texto num pergaminho e o costurou no forro do casaco. Passava a costura para cada casaco novo. Ninguém soube disso até sua morte, quando um criado encontrou o papel.

Fogo. Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó, não dos filósofos e dos sábios. Certeza. Certeza. Sentimento. Alegria. Paz.

— Blaise Pascal, o Memorial (23 de novembro de 1654)

A partir daí, Pascal dedicou a vida quase toda à religião. Entre 1656 e 1657, sob o pseudônimo de Louis de Montalte, publicou as Cartas provinciais, dezoito cartas irônicas contra os jesuítas, em defesa de Port-Royal. Foram proibidas e queimadas por ordem do rei, mas fizeram enorme sucesso e ajudaram a fixar o francês moderno em prosa.

A dor de dente e a cicloide

A matemática ainda voltou uma última vez. Segundo Gilberte, numa noite de 1658, uma dor de dente terrível não deixava Pascal dormir. Para se distrair, ele começou a pensar na cicloide, a curva descrita por um ponto de uma roda. A dor passou, e ele tomou isso como sinal de que podia continuar. Em oito dias resolveu os principais problemas da curva e lançou um concurso europeu para ver quem mais conseguia.

Os ônibus de cinco soldos

Pascal tinha a saúde frágil desde jovem: dizia que, depois dos 18 anos, não tinha passado um dia sem dor. Mesmo assim, no último ano de vida, teve mais uma ideia prática. Com o amigo duque de Roannez, criou em Paris as carruagens de cinco soldos: veículos com rotas fixas, horários regulares e preço baixo, que qualquer pessoa podia pegar. A primeira linha começou a funcionar em 18 de março de 1662. É considerada o primeiro sistema de transporte público urbano da história.

Pascal morreu em 19 de agosto de 1662, na casa da irmã Gilberte, aos 39 anos. Foi sepultado na igreja de Saint-Étienne-du-Mont, em Paris. Uma placa num pilar ainda marca o lugar: “O corpo de Blaise Pascal, morto em 19 de agosto de 1662 nesta paróquia de Saint-Étienne-du-Mont, foi enterrado perto deste pilar.”

A placa no pilar da igreja de Saint-Étienne-du-Mont, em Paris, onde Pascal foi sepultado. Foto de 1923.
A placa no pilar da igreja de Saint-Étienne-du-Mont, em Paris, onde Pascal foi sepultado. Foto de 1923.Agence Meurisse, 1923 · Bibliothèque nationale de France · Wikimedia Commons · domínio público

Ele deixou centenas de anotações soltas para um livro em defesa do cristianismo que não chegou a escrever. Os amigos de Port-Royal as organizaram e publicaram em 1670 com o título de Pensamentos. Uma delas parece escrita para a sua própria vida curta:

Tudo o que sei é que em breve vou morrer; mas o que mais ignoro é essa mesma morte, que não posso evitar.

— Blaise Pascal, Pensamentos

Fontes: biografia de Pascal, MacTutor · Gilberte Périer, Vida de Pascal, na Wikisource.


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