Ceres e o método dos mínimos quadrados
Em 1º de janeiro de 1801, o astrônomo Giuseppe Piazzi, em Palermo, descobriu um pontinho que se movia entre as estrelas: era Ceres, hoje classificado como planeta anão. Piazzi o acompanhou por 41 dias, até ele sumir no brilho do Sol. Com tão poucas observações, ninguém sabia calcular a órbita, e Ceres parecia perdido para sempre.
Gauss, com 24 anos, criou um método novo e calculou a órbita em poucas semanas. Na noite de 31 de dezembro de 1801, o astrônomo Franz von Zach apontou o telescópio para onde Gauss indicava, e lá estava Ceres.
Parte do segredo era lidar com os erros de medida. Toda observação tem um pequeno erro. Se você mede a mesma coisa várias vezes e encontra valores diferentes, qual número escolher?
A resposta de Gauss: o número $c$ que torna mínima a soma dos quadrados dos erros. Com medidas $x_1, x_2, \ldots, x_n$, a soma é
Abrindo os quadrados, aparece uma função do 2º grau em $c$:
O gráfico é uma parábola com a boca para cima, e o ponto mais baixo é o vértice, em $c = -\frac{b}{2a}$:
É a média! O método dos mínimos quadrados explica por que a média é a melhor estimativa. E ele vai além: serve para achar a reta (ou a órbita) que passa mais perto de muitos pontos ao mesmo tempo.
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