A escrita dos números que usamos hoje parece natural porque é a única que aprendemos. Mas outras culturas resolveram o mesmo problema, escrever quantidades e fazer contas com elas, de maneiras diferentes, e cada solução deixou marcas no que essas culturas puderam pensar. As varetas chinesas Durante quase dois mil anos, os matemáticos chineses calcularam com varetas: pauzinhos de bambu, osso ou metal arrumados sobre um tabuleiro dividido em colunas. Cada coluna era uma casa decimal, e um algarismo de 1 a 5 se fazia com o mesmo número de varetas; de 6 a 9, com uma vareta que valia cinco e mais algumas. Para que as colunas vizinhas não se confundissem, as varetas alternavam de posição: em pé nas unidades, deitadas nas dezenas, em pé de novo nas centenas.
A primeira escrita matemática que sobreviveu é um osso riscado. O osso de Ishango, encontrado em 1950 às margens do lago Eduardo, na fronteira entre a República Democrática do Congo e Uganda, tem cerca de 20 mil anos e traz grupos de traços paralelos gravados em três colunas. Ninguém sabe ao certo o que eles contavam. Mas a ideia é clara: um traço para cada coisa. O osso de Ishango, com os grupos de traços gravados ao longo do cabo. Museu de Ciências Naturais, Bruxelas.Joeykentin · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 Na linguagem do capítulo 2, o traço é um ícone: cinco riscos se parecem com cinco ovelhas, pelo menos na quantidade. Por isso essa escrita não precisa ser ensinada. Basta olhar. O preço é o tamanho: para escrever mil, mil riscos.