Toda escrita matemática tem um leitor. Às vezes o leitor é outra pessoa; às vezes é o próprio autor, dias ou anos depois. Os dois pedem escritas muito diferentes, e dois cadernos famosos mostram o que acontece quando um texto escrito para si mesmo cai nas mãos de outros. O diário de Gauss Em 30 de março de 1796, um estudante de 18 anos em Göttingen abriu um caderno pequeno e anotou, em latim, que tinha descoberto como dividir a circunferência em 17 partes iguais com régua e compasso, um problema aberto desde os gregos. Era Carl Friedrich Gauss, e foi esse resultado que o fez escolher a matemática em vez da filologia. Nos dezoito anos seguintes, ele escreveu no caderno 146 anotações curtas, quase sempre uma frase, às vezes uma fórmula.