No início dos anos 1980, três pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco, Terezinha Nunes Carraher, David Carraher e Analúcia Schliemann, foram às feiras do Recife conversar com crianças e adolescentes de 9 a 15 anos que vendiam cocos, milho e pipoca. Faziam-se de fregueses e propunham contas na hora da compra. Depois, voltavam com as mesmas contas escritas no papel, do jeito da escola. O resultado, publicado em 1985 com o título Mathematics in the streets and in schools, ficou famoso. Na feira, as crianças acertaram cerca de 98% das contas. Com as mesmas contas apresentadas como problemas escritos, cerca de 74%. Como exercícios de conta armada, sem história, cerca de 37%. O livro que os autores publicaram depois, no Brasil, resumiu a situação no título: Na vida dez, na escola zero (1988).