Um embrião começa como uma bola de células quase iguais. Mesmo assim, termina com cinco dedos em cada mão, listras numa zebra e manchas num leopardo. De onde vem a forma, se no começo tudo é uniforme? Em 1952, no último grande artigo que publicou, “A base química da morfogênese”, Turing propôs uma resposta matemática que os biólogos levaram décadas para confirmar. Duas substâncias, duas velocidades A ideia é imaginar duas substâncias químicas, que Turing chamou de morfógenos, espalhando-se num tecido. Hoje se costuma descrevê-las assim:
Em 1676, o inglês Robert Hooke publicou, no fim de um livro sobre helioscópios, instrumentos para observar o Sol, uma lista de descobertas que ainda não queria revelar. Uma delas vinha assim: $$\textit{ceiiinosssttuv}$$Era um anagrama: as letras de uma frase em latim, embaralhadas e postas em ordem alfabética. Era um jeito de registrar a prioridade de uma descoberta sem entregá-la aos rivais. Dois anos depois, em 1678, Hooke revelou a frase: ut tensio, sic vis, “como a extensão, assim a força”. Quanto mais se estica uma mola, mais forte ela puxa de volta. Hoje escrevemos isso em quatro sinais: