Números computáveis: quase todo número é impossível de calcular
O título do artigo de 1936 não fala de máquinas. Fala de números: “Sobre os números computáveis”. Turing os definiu assim: um número real é computável quando existe uma máquina que escreve, um depois do outro, todos os seus algarismos, sem nunca errar nenhum.
Quem é computável Quase todos os números que aparecem na escola são computáveis.
Frações: $\frac17=0{,}142857142857\ldots$ A máquina faz a divisão longa e repete o ciclo para sempre. Raízes: $\sqrt2=1{,}41421356\ldots$ Para achar o próximo algarismo, a máquina testa de 0 a 9 qual é o maior que, acrescentado, ainda dá um número cujo quadrado não passa de 2. $\pi$ e $e$: há séries que os aproximam tanto quanto se queira, como $e=1+\frac1{1!}+\frac1{2!}+\frac1{3!}+\cdots$, e com elas uma máquina produz qualquer algarismo, mais cedo ou mais tarde. Parece que todo número “de verdade” é computável. E aqui vem a surpresa: quase nenhum é.