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A incógnita: um lugar para o que se procura

Uma incógnita é, ao pé da letra, uma coisa in-cognita, não conhecida. Mas não é uma coisa qualquer: é um número determinado que ainda não sabemos qual é. A equação $x+3=7$ não fala de todos os números; fala de um só, e a tarefa é descobrir qual. Nomes para o que não se sabe Por muito tempo, a incógnita teve nome de palavra, não de letra. Por volta do ano 250, Diofanto de Alexandria, na Aritmética, chamava a incógnita de arithmós, “o número”, e a abreviava com um sinal parecido com o sigma final, $\varsigma$. Tinha também abreviações para o quadrado da incógnita, $\Delta^{\Upsilon}$ (dýnamis, potência), e para o cubo, $K^{\Upsilon}$ (kýbos). Em Bagdá, por volta de 820, al-Khwarizmi a chamava de shay’, coisa, e o quadrado dela de māl, riqueza. Ele escrevia tudo por extenso, sem nenhum símbolo. Nos séculos XV e XVI, os italianos traduziram shay’ por cosa, e os algebristas alemães que copiaram os italianos ganharam o apelido de cossistas. Em 1544, Michael Stifel ainda usava sinais diferentes para a coisa, o seu quadrado e o seu cubo: Os sinais “cóssicos” da Aritmética completa de Michael Stifel (1544): cada potência da incógnita tinha o seu próprio símbolo, sem relação visível entre eles.Michael Stifel · Wikimedia Commons · domínio público Nesses sinais, o quadrado e o cubo da coisa não se parecem com a coisa. É uma notação estéril, no sentido deste livro: para saber que o cubo vezes o quadrado dá a quinta potência, era preciso decorar uma tabela. Quando Descartes escreveu $x$, $x^2$, $x^3$, a regra $x^3\cdot x^2=x^5$ passou a estar visível nos expoentes. O capítulo 1 conta essa passagem com mais detalhe, no texto da retórica ao símbolo.

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Capítulo 2: referências e créditos

Para aprofundar Saussure, Ferdinand de. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix. Original: Cours de linguistique générale, Paris: Payot, 1916. Peirce, Charles Sanders. Semiótica. São Paulo: Perspectiva, 1977. Seleção dos Collected Papers, com os textos sobre ícone, índice e símbolo. Peirce, Charles Sanders. The Essential Peirce: Selected Philosophical Writings. 2 vols. Bloomington: Indiana University Press, 1992–1998. Morris, Charles W. Foundations of the Theory of Signs. Chicago: University of Chicago Press, 1938. Santaella, Lucia. O que é semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1983. Uma introdução curta e clara, centrada em Peirce. Duval, Raymond. Sémiosis et pensée humaine: registres sémiotiques et apprentissages intellectuels. Berna: Peter Lang, 1995. Tradução brasileira: Semiósis e pensamento humano. São Paulo: Livraria da Física, 2009. Duval, Raymond. A cognitive analysis of problems of comprehension in a learning of mathematics. Educational Studies in Mathematics, 61, 2006, p. 103–131. Machado, Silvia Dias Alcântara (org.). Aprendizagem em matemática: registros de representação semiótica. Campinas: Papirus, 2003. Falkner, Karen P.; Levi, Linda; Carpenter, Thomas P. Children’s understanding of equality: a foundation for algebra. Teaching Children Mathematics, 6(4), 1999, p. 232–236. Mazur, Joseph. Enlightening Symbols: A Short History of Mathematical Notation and Its Hidden Powers. Princeton: Princeton University Press, 2014. Swetz, Frank J. Capitalism and Arithmetic: The New Math of the 15th Century. La Salle: Open Court, 1987. Inclui a tradução da Aritmética de Treviso (1478), com a regra de três e a multiplicação em gelosia. Cajori, Florian. A History of Mathematical Notations. 2 vols. Chicago: Open Court, 1928–1929. Sobre a barra de fração, os nomes da regra de três e os sinais de proporção. Os textos antigos deste site sobre frações, multiplicação e regra de três forneceram a etimologia de numerador e denominador, a multiplicação egípcia, a gelosia de Pacioli e a tabela dos nomes da regra de três.