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Euler e as funções: dar nome a uma regra

Se existe alguém que merece o título de “arquiteto da notação moderna”, é Leonhard Euler. Ele escreveu mais páginas de matemática do que qualquer pessoa na história, e escreveu para ser lido: seus livros eram usados para ensinar, e as convenções que ele adotava se espalhavam junto com eles. Muitos símbolos que parecem ter existido sempre passaram pelas mãos dele. Leonhard Euler (1707–1783), em retrato de Jakob Emanuel Handmann, 1753.Jakob Emanuel Handmann · domínio público 1706William Jones usa $\pi$ para a razão entre a circunferência e o diâmetro. Quase ninguém repara. 1727Num manuscrito, Euler chama de $e$ o número cujo logaritmo é $1$. 1734Euler escreve $f\!\left(\frac{x}{a}+c\right)$: é o nascimento da notação $f(x)$ para funções. 1736Na Mechanica, Euler adota o $\pi$ de Jones; com a Introductio (1748), o símbolo vira padrão. 1755Euler usa $\Sigma$ para indicar uma soma. 1777Euler usa $i$ para $\sqrt{-1}$, num texto publicado só depois da sua morte. O que esses símbolos têm em comum é que cada um transforma uma descrição num nome. Antes de Euler, para falar de uma função era preciso descrever a regra (“a quantidade formada de $x$ elevando ao quadrado e somando um”). Depois de $f(x)$, a regra ganha um nome curto, e um nome pode entrar em outras contas: $f(x+h)-f(x)$, $f(g(x))$, $f'(x)$. A função vira um objeto que se manipula como se manipulava um número. Para mais detalhes sobre cada símbolo, veja a linguagem que Euler nos deixou.

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+, −, × e =: a pequena história dos sinais

Os sinais mais simples da matemática são também os mais jovens. Euclides nunca escreveu um $+$. Al-Khwarizmi nunca escreveu um $=$. Viète, que já usava letras, ainda escrevia aequatur por extenso. Quase todos os sinais de operação que uma criança aprende no primeiro ano nasceram na Europa entre o fim do século XV e o fim do século XVII, num intervalo de uns duzentos anos. 1489Johannes Widmann imprime $+$ e $-$ num livro de aritmética comercial em Leipzig. 1525Christoff Rudolff usa $\surd$ para a raiz quadrada no seu livro de álgebra, o Coss. 1557Robert Recorde inventa o $=$ em The Whetstone of Witte. 1591François Viète usa letras para quantidades conhecidas e desconhecidas. 1631William Oughtred usa $\times$ para a multiplicação; no mesmo ano sai o livro póstumo de Thomas Harriot com $<$ e $>$. 1637René Descartes escreve as potências como expoentes: $x^3$, $x^4$. 1659Johann Rahn usa $\div$ para a divisão. 1698Leibniz propõe o ponto $\cdot$ para a multiplicação, para não confundir $\times$ com a letra $x$. Mais e menos: marcas de armazém Os sinais $+$ e $-$ aparecem impressos pela primeira vez em 1489, num manual de contas para comerciantes escrito por Johannes Widmann. Ali eles ainda não indicam bem uma operação: marcam excesso e falta. Uma caixa de mercadoria que pesava mais do que devia levava um $+$; uma que pesava menos, um $-$. A hipótese mais aceita é que o $+$ seja uma abreviação de et (“e”, em latim), escrita depressa até virar uma cruz.