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Referências e créditos

Para aprofundar Usiskin, Zalman. Conceptions of school algebra and uses of variables. Em: Coxford, A. F.; Shulte, A. P. (orgs.). The Ideas of Algebra, K–12. Reston: NCTM, 1988, p. 8–19. Tradução brasileira em: As ideias da álgebra. São Paulo: Atual, 1995. Küchemann, Dietmar. Algebra. Em: Hart, K. M. (org.). Children’s Understanding of Mathematics: 11–16. Londres: John Murray, 1981, p. 102–119. Clement, John; Lochhead, Jack; Monk, George S. Translation difficulties in learning mathematics. The American Mathematical Monthly, 88(4), 1981, p. 286–290. MacGregor, Mollie; Stacey, Kaye. Students’ understanding of algebraic notation: 11–15. Educational Studies in Mathematics, 33, 1997, p. 1–19. Philipp, Randolph A. The many uses of algebraic variables. The Mathematics Teacher, 85(7), 1992, p. 557–561. Kieran, Carolyn. The learning and teaching of school algebra. Em: Grouws, D. A. (org.). Handbook of Research on Mathematics Teaching and Learning. Nova York: Macmillan, 1992, p. 390–419. Kleiner, Israel. Evolution of the function concept: a brief survey. The College Mathematics Journal, 20(4), 1989, p. 282–300. Cajori, Florian. A History of Mathematical Notations. 2 vols. Chicago: Open Court, 1928–1929. Sobre os sinais cóssicos, as letras de Viète e Descartes, o $f(x)$ e o $\operatorname{sen}^{-1}$ de Herschel. Heath, Thomas L. Diophantus of Alexandria: A Study in the History of Greek Algebra. Cambridge: Cambridge University Press, 1910. Viète, François. In artem analyticem isagoge. Tours: Jamet Mettayer, 1591. l’Hôpital, Guillaume de. Analyse des infiniment petits, pour l’intelligence des lignes courbes. Paris: Imprimerie Royale, 1696. Os textos antigos deste site sobre funções forneceram a ideia da função como frase com um buraco, usada no capítulo 1 e retomada aqui.

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Como ler uma letra: roteiro e glossário

Este capítulo mostrou que uma letra pode fazer pelo menos cinco trabalhos diferentes e que a escrita quase nunca diz qual. O roteiro abaixo junta as perguntas que ajudam a descobrir. Cinco perguntas para uma letra Ela esconde um valor ou representa qualquer valor? Se esconde, é uma incógnita, e a tarefa é descobri-la. Se representa qualquer um, a frase é uma lei geral ou uma identidade. Ela se move durante o problema? Se sim, é uma variável, e vale perguntar de quem ela depende e quem depende dela. Ela fica parada enquanto as outras se movem? Então é um parâmetro ou uma constante. Vale perguntar: fixa para sempre, como $\pi$, ou só neste problema, como o $a$ de $ax^2$? Ela está presa a um operador? Se aparece num $\Sigma$, num $\int$, num $\forall$ ou num $\mapsto$, é uma letra ligada, e pode ser trocada por outra sem mudar nada. Que palavra do texto anuncia o papel? “Ache”, “para todo”, “seja”, “quando”, “dado”. Se nenhuma aparece, a convenção do assunto decide, e é bom torná-la explícita. A leitura completa de y = ax² + bx + c $y$ e $x$: variáveis. $x$ é a independente, $y$ a dependente. Juntas, percorrem os pontos de uma parábola. $a$, $b$ e $c$: parâmetros. Fixos durante o problema, escolhem qual parábola. O $a$ precisa ser diferente de zero, ou a curva vira reta. Mudando a pergunta, mudam os papéis. Em “onde a parábola corta o eixo $x$?”, fazemos $y=0$, e o $x$ passa a ser incógnita. Em “que parábola passa por $(1,2)$, $(2,3)$ e $(3,6)$?”, os parâmetros passam a ser as incógnitas, e $x$ e $y$ viram dados: $a+b+c=2$, $4a+2b+c=3$, $9a+3b+c=6$, que dão $a=1$, $b=-2$, $c=3$. Nenhuma letra é muda. Todas importam: trocar $a$ por $k$ exige trocar em todo o texto. Uma linha curta, três papéis diferentes, e cada pergunta reorganiza tudo.

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A incógnita: um lugar para o que se procura

Uma incógnita é, ao pé da letra, uma coisa in-cognita, não conhecida. Mas não é uma coisa qualquer: é um número determinado que ainda não sabemos qual é. A equação $x+3=7$ não fala de todos os números; fala de um só, e a tarefa é descobrir qual. Nomes para o que não se sabe Por muito tempo, a incógnita teve nome de palavra, não de letra. Por volta do ano 250, Diofanto de Alexandria, na Aritmética, chamava a incógnita de arithmós, “o número”, e a abreviava com um sinal parecido com o sigma final, $\varsigma$. Tinha também abreviações para o quadrado da incógnita, $\Delta^{\Upsilon}$ (dýnamis, potência), e para o cubo, $K^{\Upsilon}$ (kýbos). Em Bagdá, por volta de 820, al-Khwarizmi a chamava de shay’, coisa, e o quadrado dela de māl, riqueza. Ele escrevia tudo por extenso, sem nenhum símbolo. Nos séculos XV e XVI, os italianos traduziram shay’ por cosa, e os algebristas alemães que copiaram os italianos ganharam o apelido de cossistas. Em 1544, Michael Stifel ainda usava sinais diferentes para a coisa, o seu quadrado e o seu cubo: Os sinais “cóssicos” da Aritmética completa de Michael Stifel (1544): cada potência da incógnita tinha o seu próprio símbolo, sem relação visível entre eles.Michael Stifel · Wikimedia Commons · domínio público Nesses sinais, o quadrado e o cubo da coisa não se parecem com a coisa. É uma notação estéril, no sentido deste livro: para saber que o cubo vezes o quadrado dá a quinta potência, era preciso decorar uma tabela. Quando Descartes escreveu $x$, $x^2$, $x^3$, a regra $x^3\cdot x^2=x^5$ passou a estar visível nos expoentes. O capítulo 1 conta essa passagem com mais detalhe, no texto da retórica ao símbolo.